Mercedes Sosa!
Quando eu saí da minha cidade natal, Guarda-Mor, interior de minas, janeiro de 78, 16 anos incompletos, eu não tinha a menor noção do mundo que eu ia enfrentar. Politicamente um analfabeto. A primeira vez que assisti um programa de tv, a minha idade já alcançava os 12 anos, até então eu não tinha nenhuma informação do que ocorria nos grandes centros urbanos. Pouco adiantava assistir ao noticiário nacional, as informações eram veiculadas de acordo com o sistema político da época, então prá mim o meu país era uma maravilha. Eu pensava que a vida era como selar um cavalo, montar, correr as campinas com plena liberdade, tomar banho de rio, jogar bola na praça, brincar de esconde-esconde, flertar alguma garota nas festas do município, comer pão de queijo com doce de leite, um cafezinho bem quentinho, torrado e moído na hora. Ledo engano, fora do meu mundo real, a vida não era tão doce assim. Só percebi isso quando fui morar na capital,BH. Os meus passos, meu cabelo comprido e despenteado, meu jeito de vestir, meu gosto musical, meu voto, eram vigiados. Cadê a liberdade de outrora? Era hora de fazer a minha opção. E fiz. O meu país tinha de ser livre, assim como foi a minha infância. Obedecer as regras sim, só aquelas de uma boa convivência com a sociedade, um bom exemplo de ser humano, um bom cidadão. Eu não ia aceitar nenhuma interferência política no meu jeito de ser, nenhum tipo de patrulhamento nas minhas idéias, leitura e principalmente no meu gosto musical. Foi aí que comecei a tomar conhecimento de pessoas que tinham os mesmos ideais. Não posso deixar de citar como exemplo Mercedes Sosa. Uma mulher forte, com um ideal plenamente definido, no seu discurso uma américa latina livre, o povo é que deveria que escolher os seus governantes. Era a hora de acabar com a repressão. Enfrentou o sistema, usou como arma o seu canto. Não esmoreceu. Sua voz forte e marcante, ecoou pelos quatro cantos da américa, sua idéia foi tomando forma e o seu sonho realizado. Morre o corpo, mas a semente plantada, germinou. Vamos dar graças a vida.
Grande abraço, Marcio Pereira
domingo, 4 de outubro de 2009
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