quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

TREM BÃO DEMAIS DA CONTA, SÔ!
São seis horas da tarde, véspera de natal e eu estou oficialmente de férias. Adoro sampa, mas nessa época do ano, não tem acordo, é hora de rever, voltar as minhas origens. Apenas o meu corpo ainda vagueia por esta cidade, meu pensamento já está em minas, faz é tempo. Férias, digo, me empolguei, são apenas dez dias, mas eu quero aproveitar até o último segundo. Hora de abraçar a família, encontrar os amigos de infância, prosear, deixar o tempo passar, nada de compromissos, só banho de rio e cachoeira, aproveitar a velha e boa calma do interior, descansar a mente, recarregar as energias, prá aguentar bem o ano que está chegando.
Quero agradecer aos meus amigos que me deram muita força, me incentivando, motivando, prá eu não parar de escrever nesse blog, com certeza foi de muita valia. Não sou escritor, nem tenho a pretensão de ser algum dia, mas estou pegando o gosto pela escrita. Apesar de dar um trabaião danado fazer o ajuntamento das palavras, compor uma idéia, vou buscando a prática na "marra" e podem ter certeza , tem sido muito prazeroso prá mim rabiscar( termo antigo, Marcio) digo, teclar algumas palavras nesse diário eletrônico.
Desejo a todos um Natal e ano novo com muita paz, saúde e felicidade sempre. Vamos festejar.
Grande abraço, Marcio Pereira

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

GRATA SURPRESA!
Depois de várias conversas, grava não grava, Pedro Antonio resolveu fazer seu disco solo. Nas nossas reuniões com o grupo Mina das minas, Ele sempre dizia: "gente, cumé, vamos gravar?" Dez anos depois e cansado de fazer a mesma pergunta, Ele resolveu desovar parte de seu imenso repertório em um disco solo. Deve ter sido a descisão mais dificil que teve que tomar em sua vida, temos uma ligação muito forte e tudo que a gente faz é pensando no grupo, separar as coisas não é muito fácil, afinal temos 25 anos de história. Em nossa última conversa ao vivo, disse para Ele que a gente compôe não é prá ficar na gaveta ou em uma demo perdida em algum lugar da casa, depois da música pronta ela pertece ao universo. Tomou a descisão na hora certa, fruta no ponto de ser colhida. Isso me faz pensar que quando falamos o ouvido mais próximo é o nosso, com certeza vai servir de grande incentivo também para mim, que eu ouça.
Quinze dias atrás o Pedro me ligou para me fazer o convite para ir ao estúdio e de quebra me perguntou se podia gravar uma música minha, grata surpresa, consentimento dado na hora. Escolheu a música Além do nariz, uma composição voltada para o lado social, um puxão de orelha em nossa juventude. Um trecho diz assim: "Um povo que não aprende a lição, que aceita o que lhe oferecem, que só ajoelha e diz amém pelo o que recebe, que fica sentado em frente a televisão, esperando o controle remoto lhe mostrar a direção"
Ouvi algumas faixas e posso garantir, vai ficar muito bonito. Boa sorte meu parceiro, amigo irmão.
Grande abraço, Marcio Pereira

terça-feira, 10 de novembro de 2009

FIM DE UM CICLO!
Por 13 anos trabalhei no manufatura bar, por uma razão familiar o bar teve que fechar suas portas. Esta é a primeira semana que nesses anos todos não vou fazer o mesmo caminho, o mesmo trajeto, prá confessar, ainda não sei qual vai ser o meu comportamento. Tenho trabalhado a minha mente, usando como amuleto, como amparo o lado bom de todas as coisas, tentando deixar fora do meu pensamento esta resistência que o ser humano tem com relação às mudanças. O que me alivia é o fato que eu carrego comigo uma consciência muito tranquila, leve, dever cumprido, pois jamais faltei sem alguma justificativa, sem prévio aviso, ou cheguei atrasado, ou fiz o chamado "corpo mole", sempre utilizei o profissionalismo como escudo e quando eu estava no palco, sempre me esforcei em dar o melhor de mim. A recompensa veio através do público que estavam ali toda semana prá me ouvir cantar. Agradeço, fiz muitos amigos, alguns só de dizer um "oi", mas que já é o suficiente, pois a fidelidade semanal, já demonstrava o apreço que tinham pelo meu trabalho. Uma porta se fecha, mas tenho certeza que há outras abertas que oferecem uma saída. Vou encarar o fim desse ciclo, como uma oportunidade de renovação, aquele impulso que precisamos para sairmos do caminho habitualmente trilhado e deixar simplesmente que o novo entre.
Deixo o meu E-mail prá qualquer novidade ou contato: marciopereirampb@ig.com.br
Grande abraço, Marcio Pereira

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

VISITAS!
Amigos que o tempo não apaga, a distância não separa. Eternos parceiros, tanto na vida quanto na música, confidências, no amparo, aquele ombro amigo que o lado bom do universo colocou do meu lado, a minha disposição para me socorrer, verdadeiros mentores. Realmente sou um afortunado. O prazer do encontro é medido pelo sorriso, pelo abraço fraterno. A sinceridade, o prazer do momento é regado por uma boa conversa, uma mesa farta, uma bela taça de vinho e lógico, muita música. Como é bom rever pessoas que a gente gosta de verdade. Faz bem prá alma, corpo, areja a mente, renova a esperança. Interessante é que uma visita gera a necessidade de comunicação, uma mistura de alegria, saudosismo, aflora. Começam as ligações, quando percebemos encontramos também amigos tão próximos, mesmo bairro, que há tempos não víamos. Surge uma grande festa. Simplesmente esquecemos dos nossos problemas diários e fazemos uma verdadeira saudação, reconhecimento, prazer em estar vivo. Música sempre!
Pedro Antonio e William de Faria, amigos de berço, é sempre um prazer para mim, revê-los.
Grande abraço, Marcio Pereira

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ESPORTE!
Desde os tempos de criança que o meu corpo pede movimento. Eu não andava, corria, quando diminuia a marcha, os passos continuavam largos. Por causa dessa inquietude, trago como herança belas cicatrizes. Natação, pura necessidade, o lugar onde eu morava era rodeado por rios, tinha que ser peixe também. Não tinha nenhuma técnica, mas era o suficiente prá me safar dos perigos da correnteza. Equitação, essencial prá quem mora na roça. Selar e cavalgar, significa independência, ou seja ficar livre da garupa. Se você você não sabe andar a cavalo, é como morar na cidade, ter carro e não ter carta de motorista, vai ser um eterno caroneiro, é como não mandar no seu destino. Futebol, paixão à primeira vista. Quando eu descobri esse esporte, por volta dos 8 anos de idade, eu achava que jamais ia me separar. Eu estudava, mas aflito prá chegar a hora do recreio prá jogar bola, comia apressado prá jogar bola, dormia e rezava prá que a noite fosse curta prá me levantar e jogar bola. Época dificil prá minha mãe, prá cuidar das minhas obrigações só na base do empurrão, do castigo e ela tinha que ficar perto, senão eu fugia prá jogar bola. Ainda continuo apaixonado pelo esporte, mas só de ver e apreciar. Hoje praticando mesmo, só as minhas corridinhas diárias. Tive a alegria de ver o Pan ao vivo, e já foi um momento de grande emoção prá mim. Imagina o contentamento de ver a copa do mundo em 2014 e as olimpiadas em 2016, os melhores atletas do mundo em todas as modalidades, no meu país! Prá um apaixonado por esporte como eu, é bão demais da conta. Na minha matula já está garantido o pão de queijo e o doce de leite. Então, Até lá.
Grande abraço, Marcio Pereira

domingo, 4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa!
Quando eu saí da minha cidade natal, Guarda-Mor, interior de minas, janeiro de 78, 16 anos incompletos, eu não tinha a menor noção do mundo que eu ia enfrentar. Politicamente um analfabeto. A primeira vez que assisti um programa de tv, a minha idade já alcançava os 12 anos, até então eu não tinha nenhuma informação do que ocorria nos grandes centros urbanos. Pouco adiantava assistir ao noticiário nacional, as informações eram veiculadas de acordo com o sistema político da época, então prá mim o meu país era uma maravilha. Eu pensava que a vida era como selar um cavalo, montar, correr as campinas com plena liberdade, tomar banho de rio, jogar bola na praça, brincar de esconde-esconde, flertar alguma garota nas festas do município, comer pão de queijo com doce de leite, um cafezinho bem quentinho, torrado e moído na hora. Ledo engano, fora do meu mundo real, a vida não era tão doce assim. Só percebi isso quando fui morar na capital,BH. Os meus passos, meu cabelo comprido e despenteado, meu jeito de vestir, meu gosto musical, meu voto, eram vigiados. Cadê a liberdade de outrora? Era hora de fazer a minha opção. E fiz. O meu país tinha de ser livre, assim como foi a minha infância. Obedecer as regras sim, só aquelas de uma boa convivência com a sociedade, um bom exemplo de ser humano, um bom cidadão. Eu não ia aceitar nenhuma interferência política no meu jeito de ser, nenhum tipo de patrulhamento nas minhas idéias, leitura e principalmente no meu gosto musical. Foi aí que comecei a tomar conhecimento de pessoas que tinham os mesmos ideais. Não posso deixar de citar como exemplo Mercedes Sosa. Uma mulher forte, com um ideal plenamente definido, no seu discurso uma américa latina livre, o povo é que deveria que escolher os seus governantes. Era a hora de acabar com a repressão. Enfrentou o sistema, usou como arma o seu canto. Não esmoreceu. Sua voz forte e marcante, ecoou pelos quatro cantos da américa, sua idéia foi tomando forma e o seu sonho realizado. Morre o corpo, mas a semente plantada, germinou. Vamos dar graças a vida.
Grande abraço, Marcio Pereira

terça-feira, 22 de setembro de 2009

RECORDAÇÕES!
Trago comigo ótimas recordações dos meus primeiros anos de escola. Tem passagens que acontecem, ficam gravadas e podem influenciar numa vida futura. Coisas simples que no momento não damos muito valor, mas aquela idéia, visão, fica registrada em nossa memória e de uma hora prá outra emerge, vém à tona e floresce. Havia um garoto, colega de classe, com um jeito, uma postura muito avançada prá uma cidade que não tinha mil habitantes, estou falando de uma época, inicio dos anos setenta, em que não existia televisão em nossa cidade para se buscar alguma influência. Rádio só AM e poucas pessoas tinham o luxo de possuir um, além do mais, as pilhas eram muita caras e a durabilidade muita curta. Sem contar que ouvíamos mais o chiado, que propriamente a música. Enquanto eu só pensava em jogar bola, rodar peão, nadar no rio, apanhar frutas no quintal do vizinho, esse garoto já tinha um estilo um pouco diferente, uma postura de artista, usava cabelo comprido, era reservado, mas quando o assunto era música seus olhos brilhavam, tinha em mente o sonho de ser músico. Me lembro que quando a professora chamava alguém prá cantar, ele sempre acompanhava. Como não tinha instrumento para tocar, Ele pegava a régua de madeira da professora ficava imitando, fazendo os acordes como se estivesse tocando de verdade. Genial. Nunca fui muito bom prá guardar nomes, mas estou mudando, fazendo um esforço, agora sei o quanto é importante. Se eu me lembrasse do seu nome verdadeiro, com o advento da internet ficaria mais fácil localizá-lo, me lembro apenas do seu apelido: Nego do Galvão. Ele mudou da nossa cidade muito novo e nunca mais tive contado ou ouvi falar sobre Ele. Espero que tenha realizado o seu sonho, torço muito para isso ter acontecido. Eu que tinha outros planos prá minha vida, anos mais tarde tive o meu primeiro contato com o violão e nunca mais deixei. Espero que a vida nos aproxime novamente. O seu legado, Nego do galvão, gerou frutos.
Grande abraço, Marcio Pereira

terça-feira, 8 de setembro de 2009

SAMPA!
São três horas da tarde, simplesmente de um minuto para outro, o dia virou noite em Sampa. Choveu bastande de manhã, um pouco de sol, tímido, na hora do almoço, agora a tarde mais chuva. Terra boa prá chover, ainda bem, limpeza, renovação geral no ar que respiramos. O único problema é que não tem mais terra para água se esconder, então leva tudo o que tem pela frente.O homem pagando o preço.
O calor do final de semana aos poucos vai se transformando em frio e não é dificil que a noite o céu esteja límpido e as estrelas resolvem dar o ar de sua graça. Só nesta cidade podem acontecer as quatro estações reunidas no mesmo dia. Simplesmente fantástico. As roupas sejam de inverno, verão ou meia estação não ficam esquecidas no fundo do guarda-roupa, a qualquer momento do dia ou noite você pode usá-las, ou seja, dinheiro bem aplicado. Não foi fácil me acostumar com essa diversificação de temperatura e agora onde quer que eu vá, sinto falta. Acho que não me acostumaria mais com as estações cumprindo religiosamente o seu tempo. Toda essa loucura climática me fez entender e aceitar com mais facilidade as mudanças que podem ocorrer no dia a dia, percebí que é uma coisa natural do tempo. Prá mim hoje o essencial é manter o bom humor, paz interior, bom convívio com a sociedade, independente da estação.
Grande abraço, Marcio Pereira

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

DUAS LUAS!
Estava eu no horário marcado dia 27 prá 28 de agosto, meia noite, esperando o grande fenômeno, algo que brilhasse mais do que a minha lua. Realmente o sentimento é de posse. Esta maravilha do universo é a maior fonte de inspiração para os músicos, poetas e enamorados, cada um tem o seu quinhão e não aceita dividir, e a lua com a sua humildade e sabedoria, aceita e abraça a todos com grande alegria. Algo tão extraordinario e igual no céu, seria como por fim nos meus sonhos e fantasias. O universo não seria tão cruel comigo. Prá me conformar pensei comigo, se for verdade, ainda me restam os meus versos de adoração, paixão e fidelidade.
Estava ancioso, esperando o grande momento, uma novidade rara, porque desde que eu me entendo por gente, eu vejo a lua reinar soberana, linda como sempre, rasgando e iluminado o azul do céu. O céu de sampa estava limpo e claro, dava contar as estrelas. Vasculhei a imensidão do céu e foi com grande prazer e alegria que eu a ví, lá estava ela, única, descambando no fim do horizonte, crescendo e brilhando, com a sua autoridade suprema, com o seu poder absoluto, nada que lhe ofuscasse o seu brilho. As estrelas se agrupavam à sua volta oferecendo proteção e cantando louvor a rainha do universo. Lua, tu tens o brilho mais lindo universo!
Grande abraço, Marcio Pereira

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

FESTA!
O aniversário da minha mãe me proporcionou a oportunidade, a satisfação de estar, conversar com parentes, que fazia muito tempo eu não via. Bão demais da conta, ainda mais quando o motivo é de alegria. Olha, festança e boa, é com a familia Marins Pereira Rosa de Melo. E não tem esse negócio de um dia só não, festa de mineiro que se preze, tem que durar no mínimo dois dias, muita música e o bom e velho papo de sempre. Estavam ali reunidos em carne e espirito, todos os irmãos da minha mãe, (a tia Maria já está em outro plano espiritual, mas estava ali representada pelos filhos e netos) a maioria dos sobrinhos e primos, todos da familia Rosa de Melo, pelo lado da familia bezerra Felix , a minha mulher, além de amigos de longa data, como a familia Solis. Pensa numa turma alegre, agora dobra. A familia da minha mãe, o riso é farto, daqueles que dá prá contar todos os dentes da boca. O assunto é prá mais de metro, relembramos a infância, falamos do presente, expectativas para o futuro, contamos causos, além de notícias dos que não puderam estar presentes.
Ocasião favorável de prestar uma homenagem prá minha mãe. Desde que eu ainda estudava no grupo(primeiros anos de escola), eu tinha uma vontade de cantar ou recitar um poema prá minha mãe, a professora fazia a sua parte, mas a vergonha, a timidez, não me deixava fazer nada em público. Pensei comigo, é agora. Achei que já adulto, fosse mais fácil, mas não é,mãe é mãe. Depois de tantos anos cantando, me apresentando em público, tremi, realmente me emocionei, mas foi um momento raro, de enorme alegria e contentamento prá mim, essa oportunidade que Deus me deu, jamais vou esquecer.
Tem coisa melhor que festejar com a família? Que venham mais festas como esta.
Grande abraço, Marcio Pereira

terça-feira, 11 de agosto de 2009

DE VOLTA!
Retornei de minas. Fui comemorar os 70 anos de D. Sebastiana, minha mãe. Como é gratificante ver alguém que a gente gosta de verdade, feliz. Posso assegurar que hoje, minha mãe alcançou aquilo que chamamos de felicidade plena. Navega em águas calmas, voa em céu de brigadeiro. Realmente um exemplo de vida. Mesmo quando as coisas não estavam indo muito bem, quando algo fugia do controle, em tempo algum ví a minha mãe se desesperar. Centrada, sempre usou o bom senso, a calma, o diálogo, como alicerce como meta de vida. Parar para reclamar, jogar a culpa no destino ou em alguém, significa prá Ela perda de tempo. Sempre enxerga uma luz no fim túnel, tem sempre uma palavra de incentivo, uma confiança no ser humano, de fazer inveja a qualquer um. Não tem tempo prá doença, ficar se lastimando, não fica presa ao passado, tempo de viver é agora, utiliza o presente para fazer planos para o futuro, até hoje, mesmo aposentada, busca no trabalho o estímulo que necessita para viver. Alcançou a sabedoria. Sabe dosar bem o seu tempo. Tudo no esquema: hora prá trabalhar mas também prá descansar, é dificil alguém tirar o seu sossego. Hora de curtir os filhos, os netos, dar uma palavra amiga a quem necessita, fazer uma visita ou receber alguém, mas também de se isolar e agradecer a Deus. Aliás, dos muitos ensinamentos que aprendi com a minha mãe, respeito ao próximo, honestidade, saber valorizar uma amizade, familia sempre, Deus como objetivo, etc..., tem um ensinamento que jamais vou esquecer: agradecer sempre.
D. Sebastiana, agradeço a Deus porque a Sra. é minha mãe, agradeço pelos sábios conselhos, pelo carinho, por ter me colocado no lado bom da vida, agradeço por fazer parte do meu mundo e o melhor de tudo: com saúde. Vou comemorar sempre.
Grande abraço, Marcio Pereira

sexta-feira, 24 de julho de 2009

AMIZADE!
Dizem que as amizades verdadeiras podemos contar nos dedos das mãos. É pouco. A vida sempre foi muito generosa comigo nesse ponto, não sei se é porque estou na estrada a muito tempo e isso me proporcionou a abertura de conhecer outros lugares, me deu a oportunidade de estar próximo de um mundo de pessoas. Eu simplesmente deixei que as coisas acontecessem naturalmente. Jamais forcei uma amizade, me aproximei com interesse, e mesmo com o jeito mineiro, desconfiado de ser, fui angariando ao longo da vida amizades sinceras. A amizade começa como um diamante bruto, a gente vai lapidando e aos poucos começa a aparecer o que realmente interessa, a preciosidade.
Tenho amigos de mamadeira, aqueles em que a convivência começa no berço, se estende ao longo da vida. Já passei mais tempo com eles, do que com a minha familia. Não tenho uma definição exata, uma explicação, um sentimento que define esse tipo de amizade, só sei que quando fico algum tempo sem ver ou conversar, faz muita falta. Tenho uma necessidade, uma dependência de estar sempre próximo.
Tenho amigos em que vida se encarregou de colocar no meu caminho, nem precisei garimpar e lapidar, uma felicidade única, já vieram prontos. Identidade a primeira vista. Às vezes passamos meses sem nos vermos, quando nos encontramos é uma festa só, a gente pode ver a alegria estampada no rosto, a felicidade do encontro.
Tenho amigos passageiros, durou apenas o tempo de uma estação. Tiveram que seguir o seu caminho, eu também. Vieram deram o seu recado, deixaram um ensinamento que fica pro resto da vida. Aquele tipo de amigo em que a gente sempre pergunta: onde está fulano, como será que está a sua vida? e você simplesmente ora prá que esteja tudo bem com ele. Talvez eu não tenha a oportunidade de de vê-los nunca mais, mas fica a saudade, o aprendizado.
Viver é realmente é genial, basta estarmos abertos, antenados e com o coração desarmado.
Grande abraço, Marcio Pereira

quarta-feira, 15 de julho de 2009

PAIS, FILHOS!
A nossa vida é uma estrada longa. Até a adolescência, uma reta só. Vivemos sob o cuidado dos nossos pais, temos uma retaguarda de confiança, pensamos ser infalível e assim deve continuar. O que é nossa responsabilidade, geralmente transferimos para os nossos genitores, e os pais com o sentimento de proteção aceitam o papel sem reclamar. Só que chega o momento e é absolutamente necessário, em que nossos pais começam a nos cobrar uma atitude mais sóbria, responsabilidade mesmo, tentando nos preparar, dizer que vida não é somente ociosidade, divertimento, cama, comida, roupa lavada, passada e guardada na gaveta. Os pais sabem que há um mundo lá fora a nossa espera, que vai nos cobrar e nem sempre vai nos colocar no colo e passar a mão sobre nossas cabeças, encobrir nossos erros, nossa falta de aprendizado. Sabem que não podem pecar pela omissão, fugir da responsabilidade de orientar e preparar o filho, sabem que a única herança verdadeira, que o tempo não pode desintegrar é o estudo, a cultura, a convivência pacífica, a lealdade, ser companheiro sempre.
Hoje eu sei que muitas atitudes que os meus pais tiveram comigo, todo o corretivo necessário, às vezes até mesmo através da força, foram necessários. Sei também que doeram mais neles do que em mim. Passaram a mão na minha cabeça quando eu precisava, me colocaram no colo, deram todo carinho que eu necessitava, mas também chegaram junto quando eu estava desviando do meu caminho. Eles sabiam que vida não é uma reta só, chegam as encruzilhadas, e temos que saber o caminho melhor a seguir. Quando estamos preparados fica mais fácil escolher e até pegar um atalho para chegarmos mais rápido ao nosso destino.
Agradeço aos meus pais, meus avós, por não ter me deixado cair na ociosidade, por todo o ensinamento, por ter me colocado na estrada e ensinado o perigo das curvas e atenção nas retas. Por ter tido paciência comigo e põe paciência nissso. Hoje estou preparado para escolher, seguir meu proprio caminho.
Grande abraço, Marcio Pereira

segunda-feira, 6 de julho de 2009

TESTANDO A PACIÊNCIA!
Segunda, dia da minha folga, geralmente gosto de ficar em casa, não boto nem a ponta do nariz prá fora, o máximo que eu faço é sapear, tocar o meu violão sem compromisso, assistir tv, o controle remoto é só meu, que maravilha assistir todos os canais ao mesmo tempo, tirar um belo cochilo, revirar o armário em busca de alguma guloseima. Eu posso fazer tudo isto sem a menor interferência, todos os demais componentes da casa estão cuidando dos seus afazeres, a casa é só minha. Nada de compromissos. Só que hoje eu não estou conseguindo concentrar na minha preguiça, que coisa! resolvi conhecer como é que funciona, como é a rotina daqueles que tem encarar uma segunda feira pela porta da frente. Fiz uma mentalização positiva, enumerei o que eu ia fazer: Primeiro banco, depois ao sepermercado, uma passadinha na lotérica e depois já em casa, resolver uma pendenga com a telefônica. Abrí o portão prá tirar o carro da garagem, e já notei uma diferença, transeuntes apressados, com a fisionomia um pouco carregada, pensei comigo, o que será que me aguarda quando eu chegar ao banco, é melhor colocar o lado Zen em prática. Com muita dificuldade arrumei um lugar prá estacionar. De cara uma fila com umas trinta pessoas, dois caixas prá atender. Normal, o bradesco só lucrou um bilhão e meio no último trimestre, não pode contratar mais ninguém, é a crise pensei. Eu imaginando que já tinha visto pessoas com cara de poucos amigos. Imagina só os comentários que a gente escuta na fila de um banco. Orei pela sáude do presidente do banco, vai que ele resolvesse fazer uma visitinha de surpresa! Adotei a tática do silêncio e da troca de pés para não me cansar. Uma hora depois estava livre do meu compromisso. Continuei firme no meu propósito, fui para o supermercado. Depois de rodar um pouco arrumei uma vaga no fim do estacionamento. Carro estacionado entrei no supermercado: achei que as pessoas estavam trabalhando e não fazendo compras!!! O engarrafamento agora era de carrinho de supermercado. Comentários diversos: subiu, baixou, saiu da oferta, esse supermercado não tem nada. Uma Sra. conversando sozinha: não sei porque eu venho na segunda, se eu sei que o dia bom prá comprar é na quarta! Eu pensando comigo, porque eu não estou em casa curtindo a minha preguiça! Comprei o que precisava, fui para o caixa, mais fila. Quarenta minutos depois livre do meu segundo compromisso. Ainda bem que a lotérica fica dentro do supermercado. As lotéricas agora viraram banco, nem mais uma "fezinha" sem fila você pode fazer. Peguei a fila errada, moço aqui é só prá pagamento de contas, jogos é na outra fila. Onde está mesmo o meu lado zen? preciso dele agora. Entrei na fila outra vez, já pensou se eu não jogo e o meu número é sorteado? Nessas horas é melhor arrumar um consolo.Vinte minuto depois estava livre do meu terceiro compromisso. Cheguei em casa, respirei fundo liguei prá telefônica. Quinze dias que estou tentando resolver um problema e não consigo.Primeiro você conversa com ninguém. Disque um prá isto, dois prá aquilo, três prá não sei o quê, apertei o três. Mais números pela frente, aperte quatro prá falar sobre tal assunto, toda aquela ladainha de novo e eu só querendo falar com um atendente. Até que enfim o número do atendente, mais uma voz gravada: aguarde um pouco todos os nossos ramais estão ocupados. Meu lado zen por favor não saia de perto de mim! Com muito custo, uma voz do outro da linha: fulano, boa tarde, em que posso ajudar? É que eu... caiu a linha. Com a telefônica não tem lado zen que dê jeito.
Aprendi a lição: Sou um abençoado, tenho todas as segundas de folga. Vou voltar a fazer o que eu não devia ter interrompido: Curtir a minha preguiça!
Grande abraço, Marcio Pereira

domingo, 28 de junho de 2009

HERÓIS E ÍDOLOS!
Infância e adolescência, época em que pensamos que os nossos heróis, nossos ídolos são eternos. Digo isto no sentido exato da palavra: vão continuar sempre com a mesma idade, com a mesma disposição, e o melhor não vão nos decepicionar jamais. O interessante, é que não conseguimos distinguir o real do fictício. Ator, cantor, personagem e intérprete são como a unha e carne. Fazem parte do mesmo processo. Não pensamos que são seres humanos, que tem necesssidades, limites, fraquezas, que envelhecem, não estão acima do bem e do mal, acima de uma grande verdade: a morte. Já estava prá escrever sobre o assunto, quando fui surpreendido esta semana, por mais uma notícia dessas em que acreditamos não ser real, verdadeira.
A primeira notícia: a morte de David carradine, ele interpretava o meu herói favorito:Kung fu. Grande gafanhoto. Tinha todas as facilidades corporais de domínio sobre o opositor, mas só usava em último caso, como defesa. A mensagem era clara, violência só gera mais violência. Ele tinha a palavra como convencimento, a mansidão como escudo e só aplicava seus conhecimentos marciais, quando não existia mais nenhum recurso. Um desses seriados que ensinam, que tem um propósito claro: a paz é o caminho prá humanidade. Podemos viver em harmonia. Me lembro que eu não perdia nem um capítulo.
A segunda notícia: a morte Michael Jackson. Temos o mesmo destino artístico: a música. É fato, optamos por veredas musicais totalmente diferentes. Mas o que eu quero falar, é que Ele fez parte da minha adolescência. Faziamos os famosos bailinhos, e Michael jackson não podia ficar de fora das famosas músicas lentas. Era só tocar Ben ou I'll be there, que lá estava eu a procura do par perfeito. Até hoje eu não sei a tradução das letras, não sei se falam sobre o amor, mas o que importava prá mim era sentir aquele friozinho na barriga, aquela coisa mágica de dançar colado. E como os americanos sabem fazer bem esse tipo de balada.
Ainda bem que música depois de gravada, uma cena depois de filmada ficam para sempre. Tem coisas que vão ficar guardadas para sempre no nosso imaginário. Coisas que a morte não pode levar consigo.
Grande abraço, Marcio Pereira

terça-feira, 23 de junho de 2009

PRIVILÉGIO!
Faço parte de uma geração privilegiada! Estou tendo a oportunidade de ver várias mudanças significativas que aconteceram desde a data do meu nascimento até os dias de hoje. E foram passados só quarenta e sete anos. Meu primeiro choro foi nas mãos de uma parteira, uma não: duas, minhas avós materna e paterna. Hospital é bom, tem todo o aparato necessário, mas ser amparado, segurado primeiro por alguém da familia, nos dias de hoje é muito difícil, eis o primeiro privilégio. Quando comecei a andar o mundo era o limite, não havia muros, divisa. Eis o segundo privilégio. Não havia eletricidade. Nossa iluminação dentro de casa, era feita através de uma lamparina ou candeia. Fora de casa, a lua e as estrelas guiavam o nosso destino. Eis o terceiro privilégio. Chuveiro, prá que chuveiro? No fundo do quintal, um riacho de água cristalina, piscina natural, água corrente. Eis o quarto privilégio. Transporte. Um cavalo "bem arriado", tinha lá o seu valor. O som a natureza fornecia, um pintasilgo alí, um canarinho aqui, uma sabiá acolá. Eis o quinto privilégio. Não havia televisão, só rádio e AM, só era ligado no horário programado. Só o rádio pode alimentar as nossas fantasias, podemos criar uma cena, uma foto, um lugar, de acordo com a nossa imaginação. Você cria e dirige seu próprio filme. Eis o sexto privilégio. Comunicação era feita através de uma carta ou um recado. Nada de imediato. Quando recebíamos uma carta de um parente ou amigo, era uma felicidade só. Reuníamos a família e a leitura era feita em voz alta, as boas novas ou uma noticia de pouco agrado, era de interesse de todos, nada de senha. Eis sétimo privilégio. Fogão a lenha, panela de ferro. Demorava um pouco prá ficar pronto, mas compensava. O sabor era totalmente diferente. Tudo orgânico e integral. E não pagávamos a mais por isto. Eis o oitavo privilégio.
O nono privilégio é participar de toda esta tecnologia atual, tudo imediato. Carro, avião, telefone fixo ou móvel, televisão, email, fogão a gás, as maravilhas da medicina, esta loucura imediata chamada internet, ligando você com o mundo inteiro. Poder falar com a minha familia em minas e ainda vê-los em tempo real, é maravilhoso.
Ser contemporâneo de tudo isto me deixa feliz. A vida é evolução, nada fica parado. O ser humano, os animais, a natureza estão sempre em movimento constante. O momento é agora. Viver bem o presente significa prá mim, não ficar preso ao passado, nem com a cabeça, com a imaginação no futuro. O bom de tudo é ter histórias prá contar.
Grande abraço, Marcio Pereira

segunda-feira, 15 de junho de 2009

ESPERANÇA!
Combustível que movimenta o ser humano. Uma centelha, uma faísca, já é o suficiente para nos tirar de algum embaraço, alguma desilusão, algum impedimento. Agora sei porque o tempo foi fatiado. Fico imaginando se não existisse o prazer de dizermos: amanhã ou semana que vém ou mês que vai entrar ou novo ano que vislumbra, tudo pode ser diferente. Ter aquele sentimento de renovação. Imaginou se fosse uma reta só? Nada de horas, dias, mês e anos? Morreriamos de tédio. O tempo e a esperança é a oportunidade de um novo recomeço, a força que precisamos para tomarmos alguma atitude. Vontade de buscarmos aquela coisa mal resolvida que está em algum lugar do passado e solucionar. Ensejo de projetarmos, planejarmos alguma coisa de bom, para o futuro. A esperança nos dá a ocasião de não deixarmos nada pendente em nossa vida. Esperança é o elixir para todos os males.
Que os dias dificeis não apague essa chama. Que a nossa alma esteja sempre impreguinada de esperança, vontade de realização.
Grande abraço, Marcio Pereira

domingo, 7 de junho de 2009

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS PRÁ TODOS QUE DEIXAM OS SEUS COMENTÁRIOS: SEJA NO PRÓPRIO BLOG OU ATRAVÉS DE E-MAILS. GRANDE ABRAÇO, MARCIO PEREIRA
Você já teve aquela sensação de que não está completo, e aí começa a ficar meio inquieto. A brisa tráz uma saudade que você não sabe de onde vém, as idéias não se encontram, não se encaixam, parece que a gente está sempre esquecendo de alguma coisa? Você revira os bolsos, a chave está no lugar, a carteira juntamente com os documentos também. Abre a agenda, todos os compromissos em dia. No peito aquele nó que não quer desatar? Você coça a cabeça, fica olhando e nem sabe prá onde?
Esta semana estou meio assim. Como se diz lá em minas: olhando pro "ontonte".
Aí vém aquela pergunta doída, do fundo da alma: não está esquecendo de nada mesmo? Onde fica mesmo o seu norte? O seu alicerce? No meu caso, a resposta vém de imediato: Familia. De repente as idéias começam a se encaixar: sinto falta da minha essência, minha origem. Minas!
Me lembro que já faz alguns meses que não vejo a minha mãe, os meus irmãos, meus sobrinhos. Percebo a razão porque estou chateado. Nada que seiscentos kms não cure. Quase trinta anos que eu sou um cidadão do mundo e prá mim, nada melhor do que uma roda familiar prá recarregar as energias.
Como escrever faz bem, aliviei um pouco o peso da saudade. O resto só pessoalmente. Falta pouco, já vejo a cara de julho despontando.
Grande abraço, Marcio Pereira

domingo, 31 de maio de 2009

Agradecimento!
Hoje prá escrever, meu lado mineiro tem que tá sorto dentro de mim.
Me alembro como se fosse hoje, quando meu cumpadi e primo Edis(é assim que a famía o chama)recém chegado da capital, foi fazê uma visitinha prá minha mãe, nessa época eu tinha terminado a oitava série e na minha cidade não tinha mais recurso de estudo. Pois bem nessa conversa estava traçado o meu futuro. Ele chegou prá minha mãe e disse disse: Titana( o nome da minha mãe é Sebastiana, mas como mineiro gosta de encurtar as palavras, em vez de tia Tiana, Titana) como a Sra já sabe, tô morando em belorizonte, e como o Marcio acabou a oitava série, se a Sra. quiser ele pode ir morar comigo. A Sra. num se preocupe, Ele terá o mesmo conforto que tem aqui, já estou estruturado, a minha casa tem até empregada, vai ser mío se Ele for prá capital comigo, lá tem mais recurso, Ele pode estudá e trabaiá. Depois dessa conversa a minha mãe ficou mais animada e disse prá mim: fio arruma a mala, que ocê vai morá na capital com seu primo, não se preocupe já conversei com meu sobrinho e ocê vai ficar bem. Eu coração partido, mais confiante no futuro que me aguardava, arrumei as coisas e fiquei pronto. Prá essa viagem o melhor terno de roupa:uma camisa de tergal laranja, carça boca de sino azul marinho e um sapato plataforma, traje de festa mesmo. Janeiro de 78, numa tarde de sol, embarquei no ôinbus das duas prá paracatu e depois às dez da noite, rumo a capital. Cheguei de manhazinha, por volta das seis horas. Nunca tinha feito uma viagem tão cumprida, lógico que passei male no ôinbus, sempre tive o istambo meio fraco. Rapaz quando eu desembarquei ví aquele mundaréu de gente, fiquei muito assustado. Eu que pensava que a festa da lapa era que tinha gente. Eu já tinha visto arreunido assim era muita vaca, boi, cavalo, porco, galinha, passarin. Carro prá tudo quanto era lado, e não era de boi. Na minha cidade o horario dos pôcos carros que existiam, era programado, ocê sabia a hora que argum fazendeiro chegava da roça, ou horário do ôinbus que passava na cidade. Eu com minha mala de pau, minha matula, coisa poca: pão de queijo, chimanguim, um queijo e uma rapadura, mineiro gosta de fartura(ainda bem que eu levei, ocêis vão entender mais prá frente). Fui rompeno atrais do meu primo, cum medo danado de me perdê. Imagina eu crú de tudo, num conhecia telefone, elevador, escada rolante, tv a cores, rádio só AM. Num sabia abrí a boca prá pedir uma informação, tava entrando num mundo que era novidade prá mim. Cansado da viagem, as mão doeno de carregá os trem, os pé inchado, num tava acostumado a ficar carçado tanto tempo, doido prá chegá no palacete com empregada do meu primo, arriá as coisas e descançá. Depois de uma boa caminhada nóis chegou. Quando eu dei de frente prá situação, sabe quando fio chora e a mãe não vê? O trem era só um quarto, um porão, chão batido, cinco beliche, eu era o décimo. O colchão de mola, só que véio, ocê tinha que arrumá um espaço nele prá dormir, porque as molas ficava te cutucando a noite inteirinha. E quando a dona inventava de lavá a casa, a água vazava por entre as tabas, era um moiaceiro danado. Fugão tinha sim, duas boca, só que uma não funcionava, isso quando tinha alguma coisa prá fazê ou quando tinha gais. Não passei fome não, passei necessidade de cumê, é diferente. No armoço as veis nóis tinha arroz, farofa, ou um ovo, um doce, um biscoito, nunca tudo reunido, ou uma coisa ou outra. Na janta as veis um pão, quando tinha margarina e ksuco, aí já era festa. Agora ocê entende o valor da matula que eu levei comigo. Nos primeiros seis meses, todo santo dia eu ia na rodoviária e falava comigo: hoje eu vorto. Ainda bem que eu não vortei, Deus me amparou e segurei firme nas pontas. Mais no domingo era bão, nóis lavava a rôpa, fica ali um poco de môio, proseano, matutano onde nóis ia pegá a bóia. Geralmente era na casa dos Quintino, lá tinha muita fartura, nóis comia que dava prá semana inteira.
O tempo foi passando, o trem foi ficando mió, eu já tinha um emprego, nóis mudou prá um quarto bem maió, todo mundo arreunido. Nóis nunca morô em casa com divisão, nunca teve televizão, gostava mesmo era de jogar conversa fora. Todo mundo era da mesma cidade e sempre cabia mais um. Nóis já comia na pensão, armoço e janta. Eu já tava mais inteligente prá lidá com as coisas. Terminei o segundo grau, não dei prosseguimento, porque os cobre não dava.
Quer saber, mesmo com dificuldade, depois do costume, a vida era uma festa só. Nóis tinha a alegria estampada no rosto, juventude saindo pelos poros. Vontade de vencer na vida.
Esse causo, verdadeiro, é um agradecimento ao meu cumpadi Edson, que teve a coragem de me tirar debaixo da barra da saia da minha mãe e me apresentar o mundo como ele é: com todas as suas verdades. Me deu a oportunidade de sair de Guarda Mor, do meu mundinho, eu pensava que depois da serra que rodeia a cidade não existia mais nada, só paracatu e vazante e conhecer coisas diferentes. Me deu a oportunidade de formar o meu caráter, de escolher o que eu queria prá mim. Aprendi a dar valor numa grande amizade. Aprendi a não esquecer, esconder o meu passado, pois é alavanca do meu futuro. Aprendi que não se deve gastar tudo que tem, tem deixar um poquim prás horas difíceis.
Eu termino, e ocêis num pode vê, mais tem uma lágrima escorreno no canto do ôio, e tem nome: gratidão! agradecimento eterno. Grande abraço cumpadi Edson.
Marcio Pereira

domingo, 24 de maio de 2009

TEMPO!
Como podemos deixar que o tempo faça o que quiser com agente. Ele chega e diz: sou o dono do pedaço, agora sou o mandante majoritário, eu organizo sua vida. Já não temos mais tempo prá familia, aquela tradicional roda de amigos, botar a prosa em dia. Tempo prá umas boas risadas, sabe aquele riso que dá gosto? fazer uma viagem, aquele lugar que está no seu imaginário, vc tá sempre dizendo: ainda conheço esse lugar, nós estamos sempre empurrando prás próximas ferias? Aquele amigo irmão, que está sempre ligando, perguntando:quando é que vc vém nos fazer uma visitinha? aquele cafezinho da tarde, e o pior de tudo, moramos no mesmo bairro! Que loucura! Temos que parar essa confusão mental que nós criamos no nosso dia a dia, limar do dicionário: "agora não tenho tempo" e mostrar quem está no comando. É tudo uma questão de organização. Nem que seja um minuto, não pense que é pouco. Ex: coloca alguma coisa no micro-ondas, aperte um minuto e fica olhando o tempo passar, parece uma eternidade. Se organizarmos o nosso arquivo mental, pode acrediar, sobra tempo prá tudo. Bom, fico por aqui, vou fazer a lição de casa: Fazer uma visitinha, um bom papo, prá acompanhar: umas belas gargalhadas. Grande abraço, Marcio Pereira

domingo, 17 de maio de 2009

Como é bom respirar!
Quando estamos com algum problema, alguma preocupação para resolver, parece que o ar vai se tornando cada vez vez mais dificil, rarefeito. Nessa hora é bom parar, respirar fundo e continuar firme no propósito. Pode acontecer comigo ou com maioria dos seres humanos: medo do desconhecido. Medo das ramificações da profissão.
Esta semana que passou, tinha um incumbência prá fazer: Tocar em um casamento. Não é a minha, nunca tinha feito algo parecido. Confesso que fiquei preocupado. Não sou uma empresa. Só eu, minha voz e o violão. Pensava comigo: e se acontecer alguma coisa de errado, se eu não puder estar presente, se a aparelhagem na hora der algum problema. Pensava nos investimentos do casal, não tinha mais ninguém prá segurar a barra. Somente eu. Veja a que ponto podemos chegar, se não colacamos um sinal vermelho, o negativo toma conta da situação.
Nessas horas, melhor: em todas as horas é bom ter amigos, músicos, no meu caso, melhor ainda, comecei a comentar com eles, ouvir opiniões. Vieram os incentivos, fui ganhando confiança. O ar foi voltando prás narinas, irrigando o pulmão. Comecei a conversar comigo, em um tom que os meus dois ouvidos escutassem: a vida é prá se correr risco, descobrir novos atalhos, rios nunca antes nadados. Nada de prender a respiração, nada de deixar que o medo me domine, busquei o controle da situação.
Por incrivel que possa parecer, não sei porque agente duvida: sempre dá certo. Hoje um dia depois, tomando a minha taça de vinho, agradeço a Ofélia e meu amigo Jonas por esta oportunidade. Cantei com alma e coração, um dos meus melhores trabalhos nessa vida de cantante. Tô pronto prá outra. Grande abraço, Marcio Pereira

terça-feira, 12 de maio de 2009

Hoje escrevi para o meu amigo Pedro Antonio, ele estava meio angustiado, pois mudou de São Paulo recentemente e sente muita saudade dos amigos e familia. Disse prá ele: Meu lar é onde estão as minhas butinas. É a minha cara esta frase. Pois me considero um cidadão do mundo.
Me considero "chique", pois já domi em banco de trem, rodoviaria e até aeroporto. Hoje mais maduro e viajado, não tenho mais medo do destino que eu tenho que seguir. Como ser humano, emoção a flor da pele, sinto saudade da minha familia, não é uma saudade que me entristece, e sim uma saudade gostosa, e eu sei acima de tudo: tenho prá onde voltar. Quer coisa melhor? Grande abraço Marcio Pereira

SEJAM BEM VINDOS!

Sejam bem vindos! Podem deixar seus recados, sugestões, opiniões. Grande abraço
Marcio Pereira